
Clóves (Clowns, personagens inspirados nos mascarados do Carnaval de Veneza) em frente ao Mosteiro de São Bento. Foto: Passarinho/Pref.Olinda
Nascido do povo e, por isso mesmo, heterogêneo e multifacetado, ao longo do tempo o frevo sofreu várias influências e na década de 1930, com a popularização do ritmo pelas gravações em disco e sua divulgação pelos programas de rádio, dividiu-se em três modalidades: frevo de rua, frevo de bloco e frevo-canção.
Frevo de rua – É o mais comumente identificado como simplesmente frevo, cujas características não se assemelham com nenhuma outra música brasileira, nem de outro país. O frevo-de-rua se diferencia dos outros tipos de frevo pela ausência completa de letra, pois é feito unicamente para ser dançado. Na música é possível distinguir-se três classes: o frevo-abafo ou de encontro, no qual predominam os instrumentos metálicos, principalmente pistões e trombones; o frevo-coqueiro, com notas agudas distanciando-se no pentagrama e o frevo-ventania, constituído pela introdução de semicolcheias. O frevo acaba, temporariamente, em um acorde longo e perfeito.
Frevos de rua famosos: Vassourinhas, de Matias da Rocha; Último dia, de Levino Ferreira; Trinca do 21, de Mexicano; Menino Bom, de Eucário Barbosa; Corisco, de Lorival Oliveira; Porta-bandeira, de Guedes Peixoto.
Frevo canção – Nos fins do século passado surgiram melodias bonitas, tais como A Marcha n° 1, do Vassourinhas, atualmente convertido no Hino do Carnaval recifense, capaz de enlouquecer o passista. O frevo-canção ou marcha-canção tem vários aspectos semelhantes à marchinha carioca, um deles é que ambas possuem uma parte introdutória e outra cantada, começando ou acabando com estribilhos.
Frevos-canção famosos: Borboleta não é ave, de Nelson Ferreira; Na mulher não se bate nem com uma flor, de Capiba; Hino de Pitombeira, de Alex Caldas; Hino de Elefante, de Clídio Nigro; Vestibular, de Gildo Moreno.
Frevo de bloco – Deve ter se originado de serenatas preparadas por agrupamentos de rapazes animados, que participavam simultaneamente, dos carnavais de rua da época, possivelmente, no início do presente século. Sua orquestra é composta de Pau e Corda: violões, banjos, cavaquinhos, etc. Nas últimas três décadas observou-se a introdução de clarinete, seguida da parte coral integrada por mulheres.
Frevos de bloco famosos: Valores do Passado, de Edgar Moraes; Marcha da Folia, de Raul Moraes; Relembrando o Passado, de João Santiago; Saudade dos Irmãos Valença, e Evocação n° 1, de Nelson Ferreira; Madeira que cupim não Rói, de Capiba.
FREVO CANÇÃO
Olinda nº 2 (Hino do Elefante de Olinda)
Clídio Nigro e Clóvis Vieira
Ao som dos clarins de Momo
O povo aclama com todo ardor
O Elefante exaltando a sua tradição
E também seu esplendor
Olinda, esse meu canto
Foi inspirado em seu louvor
Entre confetes e serpentinas
Venho lhe oferecer
Com alegria o meu amor.
Olinda!
Quero cantar
A ti, esta canção
Teus coqueirais
O teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor a sonhar
Minha Olinda sem igual
Salve o teu carnaval.
Borboleta não é ave
Nelson Ferreira
Borboleta não é ave,
Borboleta ave é,
Borboleta só é ave
Na cabeça da muié…
Borboleta, borboleta
De voar nunca se cansa,
Menina de perna fina
De socó tem semelhança…
Borboleta não é ave…
Borboleta quando fores
Lá pras bandas do Norte
Da coruja minha sogra
Leva o gênio de má sorte…
Bate-bate com doce (Hino da Pitombeira)
Alex Caldas
Nós somos da Pitombeira
Nós brincamos muito, mas …
Se a turma não saísse
Não havia Carnaval
Bate-bate com doce
Eu também quero
Eu também quero (Bis)
A turma da Pitombeira
Tem seis dedos em cada mão
E o P que tem na testa
Faz parte da confusão.
Pitombeira só tem dez letras
E uma significação
Pitomba é fruta besta
Se compra com qualquer tostão.
A turma da Pitombeira
Na cachaça é a maior
O doce é sem igual
Como ponche é o ideal.
Se a turma não saísse
Não havia carnaval
Se a turma não saísse
Não havia carnaval
Bate-bate com doce
Eu também quero
Eu também quero (Bis)
FREVOS DE BLOCO
Madeira Que Cupim Não Rói
Capiba
Madeira do Rosarinho
Vem a cidade sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original
Não vem pra fazer barulho
Vem só dizer, e com satisfação
Queiram ou não queiram os juizes
O nosso bloco é de fato campeão
E se aqui estamos,
Cantando esta canção
Viemos defender
A nossa tradição
E dizer bem alto que a injustiça dói
Nós somos Madeira, de lei,
Que cupim não rói
Relembrando o Passado
João Santiago
Vou relembrar o passado
Do meu carnaval de fervor
Neste Recife afamado
De blocos forjados
Na luz e esplendor
Na Rua da Imperatriz
Eu era muito feliz,
Vendo os blocos desfilar
Escuta Apolônio
Que eu vou relembrar
Os Camponeses, Camelo e Pavão
Bobos em Folia do Sebastião
Também Flor da Lira
Com seus violões
Impressionavam
Com suas canções.
Frevo da Saudade
Nelson Ferreira / Aldemar Paiva
Quem tem saudade
Não está sozinho,
Tem o carinho, da recordação…
Por isso quando estou
Mais isolado
Estou bem acompanhado
Com você no coração…
Um sorriso, uma frase, uma flor,
Tudo é você na imaginação..
Serpentina ou confete…
Carnaval de amor…
Tudo é você no coração…
Você existe
Como um anjo de bondade
E me acompanha
Neste frevo de saudade
Lá Lá Lá Lá… etc.






