Dobradiça, tesoura… os passos básicos do frevo

Passistas de frevo. Foto: Passarinho/Pref. Olinda
Passistas de frevo. Foto: Passarinho/Pref. Olinda

Assim como as denominações das primeiras agremiações carnavalescas, Pás, Vassourinhas, Espanadores, Abanadores, Suineiros, Verdureiros, Empalhadores, inicialmente os passos do frevo faziam referência ao mundo do trabalho e às ocupações profissionais de seus praticantes: tesoura, ferrolho, parafuso, dobradiça e locomotiva.

Hoje existem um número incontável de passos ou evoluções com suas respectivas variantes. A pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco, Cláudia Rocha Lima, destaca que, com o correr dos anos, a improvisação do passo foi substituída por certos tipos ou arquétipos de passos.

A sombrinha é um elemento indispensável para o passista e sua coreografia. Ele a conduz como símbolo do frevo e como auxílio em suas acrobacias. Em sua origem, não passava de um guarda-chuva conduzido pelos capoeiristas como arma para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida. Com o decorrer do tempo, esses guarda-chuvas deram lugar a uma sombrinha colorida com aproximadamente 50 centímetros de diâmetro.

Os passos básicos elementares são: dobradiça, tesoura, locomotiva, ferrolho, parafuso, pontilhado, ponta de pé e calcanhar, saci-pererê, abanando, caindo-nas-molas e pernada, este último claramente identificável na capoeira.

Dobradiça – Se flexiona as pernas, com os joelhos para frente e o apoio do corpo nas pontas dos pés. Corpo curvado para frente realizando as mudanças dos movimentos: o corpo apoiado nos calcanhares, que devem está bem próximos um do outro, pernas distendidas, o corpo jogado para frente e para trás, com a sombrinha na mão direita, subindo e descendo para ajudar no equilíbrio. Não há deslocamentos laterais. Os pés pisam no mesmo local com os calcanhares e pontas.

Tesoura – Passo cruzado com pequenos deslocamentos à direita e à esquerda. Pequeno pulo, pernas semiflexionadas, sombrinha na mão direita, braços flexionados para os lados. O dançarino cruza a perna direita por trás da esquerda em meia ponta, perna direita à frente, ambas semiflexionadas. Um pulo desfaz o flexionamento das pernas e, em seguida, a perna direita vai apoiada pelo calcanhar; enquanto à esquerda, semiflexionada, apóia-se em meia ponta do pé, deslocando o corpo para esquerda. Refaz-se todo o movimento, indo a perna esquerda por trás da direita para desfazer o cruzamento. Neste movimento, o deslocamento para a direita é feito com o corpo um pouco inclinado.

Locomotiva – Inicia-se com o corpo agachado e os braços abertos para frente, em quase circunferência e a sombrinha na mão direita. Dão-se pequenos pulos para encolher e estirar cada uma das pernas, alternadamente.

Ferrolho – Como a sapatear no gelo, as pernas movimentando-se primeiro em diagonal (um passo) seguido de flexão das duas pernas em meia ponta, com o joelho direito virado para a esquerda e vice-versa. Repetem-se os movimentos, vira-se o corpo em sentido contrário ao pé de apoio, acentuando o tempo e a marcha da música. Alternam-se os pés, movimentando-se para frente e para trás, em meia ponta e calcanhar; o passista descreve uma circunferência.

Parafuso – Total flexão das pernas. O corpo fica, inicialmente, apoiado em um só pé virado, ou seja, a parte de cima do pé fica no chão, enquanto o outro pé vira-se, permitindo o apoio de lado (o passista arria o corpo devagar).