
Passista de frevo. Foto: Passarinho/Pref. Olinda
“A vibração paroxística do frevo
é realmente uma coisa assombrosa.
Que beleza! Que leveza admirável!”.
Mário de Andrade
Da troca espontânea entre os animados foliões e as orquestras de metal das bandas marciais, “no calor dos corpos” surgiu a marcha carnavalesca pernambucana. Fruto da evolução dos dobrados de inspiração militar, polcas, maxixes, quadrilhas e modinhas, que ganharam “novas formas e combinações”, nasceu, então, o frevo pernambucano, com sua música, sua dança e sua efervescência tão características e envolventes.
Como dança, o frevo tem origem nos capoeiras que vinham à frente das bandas, exibindo-se e praticando a capoeira no intuito de intimidar os grupos rivais. O passo é a dança que se dança com o frevo. Entra-se no frevo para “fazer o passo”. E cada um faz por si, como o capoeira fazia. É uma dança individualista. Não há combinações coreográficas, não há parceria nenhuma.
Os capoeiras, desordeiros e valentões, foram fundamentais no processo de criação do frevo. Os golpes da luta, adaptados ao ritmo das marchas e disfarçados da polícia, originaram uma série de passos que vieram a compor a dança.
“Os acordes excitantes dos metais repercutiram nos músculos e sentidos daquelas pessoas sem amarras, inspirando-lhes os movimentos da dança, como se estivessem num permanente estado de alerta, a sugerir agressividade ou defesa”, ressalta a antropóloga Rita de Cássia, da Fundaj – Fundação Joaquim Nabuco, do Recife.
Em seu Ensaios de Carnaval, publicado pelo Suplemento Cultural em fevereiro de 1997, o historiador pernambucano Leonardo Dantas Silva registra: “Denominado inicialmente de “marcha”, e, posteriormente, de marcha-carnavalesca-pernambucana” e, por alguns compositores, até os nossos dias, de “marcha-frevo, o frevo como música tem suas origens nos repertórios das bandas militares e civis existentes no Recife na segunda metade do século XIX: O maxixe, o tango brasileiro, a quadrilha e, mais particularmente , o dobrado e a polca-marcha, combinaram-se, fundiram-se dando como resultado o frevo, ritmo popular ainda hoje em franca evolução rítmica e coreográfica.”
Para José Ramos Tinhorão, o frevo é criação de músicos brancos e mulatos, na sua maioria instrumentistas de bandas militares tocadores de marchas e dobrados, ou componentes de grupos especialistas em música de dança do fim do século XIX – polcas, tangos, quadrilhas, schottisch e maxixes.






