
Sombrinhas de frevo. Foto: Foto: Evane Manço/Pref.Olinda
“O frevo não convida. Arrasta.
Sua efervescência rítmica é qualquer coisa
de imãtético, contra a qual é difícil resistir.”
Valdemar de Oliveira
Gênero musical genuinamente pernambucano, o frevo completou em 2007 cem anos de existência como vocábulo. Isso porque, na linguagem oral e como manifestação cultural o frevo ultrapassou a barreira centenária bem antes. Nascido no seio das classes trabalhadoras, ainda no final do século XIX, o frevo tem sua “certidão de nascimento” lavrada pelo Jornal Pequeno, do Recife, que em sua edição de 09 de fevereiro de 1907, um Sábado de Zé Pereira, grafou, pela primeira vez, a palavra mágica: Frevo.
Em seu Vocabulário Pernambucano, Pereira da Costa registra a origem da palavra frevo do verbo ferver, por corruptela, frever, que passou a designar efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas, como no carnaval.
No ensaio intitulado O Frevo Pernambucano, o historiador Leonardo Dantas Silva afirma que a troca de ordem das letras “e” e “r” resultou da maneira incorreta como as pessoas mais humildes flexionavam o verbo “ferver”: em vez de falar corretamente, diziam “frever”. E assim ficou para sempre: Frevo. Como afirma o teatrólogo Waldemar de Oliveira, no livro “Frevo, Capoeira e Passo”, a palavra “frevo” veio tarde, quando a música, que era “marcha” para todos os efeitos, se impunha no carnaval”.
Em sua gloriosa efervescência, o frevo apresenta ainda outra contradição, também registrada pelo teatrólogo Waldemar de Oliveira: Não se pode distinguir bem se o frevo, que é a música, trouxe o passo ou se o passo, que é a dança, trouxe o frevo, que é música. Waldemar de Oliveira acreditava que as duas coisas se foram inspirando uma na outra e completaram-se, sendo possível afirmar “que o frevo foi invenção dos compositores de música ligeira, feita para o carnaval, enquanto o passo brotou mesmo do povo, sem regra nem mestre, como por geração espontânea”.
Para José Ramos Tinhorão, outro estudioso do assunto, o frevo é criação de músicos brancos e mulatos, na sua maioria instrumentistas de bandas militares tocadores de marchas e dobrados, ou componentes de grupos especialistas em música de dança do fim do século XIX – polcas, tangos, quadrilhas, schottisch e maxixes.
Nesses mais de cem anos, o frevo resistiu e continua autêntico e vigoroso. Repetindo-se a cada carnaval, sem se curvar às influências de ritmos alienígenas que o ameaçam de vez em quando. Isso graças a sua essência e conteúdo que o identificam como uma das principais expressões culturais de Pernambuco e do Brasil.






